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Elis Regina 1973
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por Dafne Sampaio
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Chama, a luz chama. Uma vermelha, outra verde, vermelha, verde. Drinques. Disseram assim, hoje tem folga, faça o que quiser, mas aqui nessa cidade só tem uma coisa aberta à noite, uma só. Concentração mesmo só no final de semana. Até lá dois dias, uma noite, uma noite só. Cidade pequena. A casa das meninas fica um pouco longe de todos, tem que ir de carro, não tem jeito. E quase no fim, quase chegando, tem uma ladeira enorme, o carro sobre gritando de primeira. Só com muita vontade.
Do lado de fora a lua esfria e ilumina tudo. Lá dentro arde, os móveis, camas, bebidas, a cruz enorme na sala, tudo queima. Tem uma menina de tomara-que-caia cantando sozinha num canto. Ao seu redor sofás e mesas cheias de sombras de beijos e mãos suadas apertando seios e coxas suadas. Tudo é úmido e quente como tem que ser. Nada de concentração. Ela segue cantando e levanta a saia, nada embaixo, tudo ali. Vai espalhando folhas secas pela sala, jogando sobre os casais e tira a roupa, peça por peça, até a pele morena tomar conta de tudo.
Tava bebendo e rindo quando ouviu, é com esse que eu vou. Era ela, pequena e diferente de todas que rodopiavam pela casa. Cabelos curtos, mãos e braços ágeis, foi logo puxando seu braço e roçando a perna. Põe a mão aqui ó, tá molhada. É só uma noite. Já no final de semana tem jogo, o primeiro do campeonato, e lá se vai o resto do ano viajando no meio de campo. Pus a mão, os dedos, fui jogando e ela sorriu, abriu as pernas. Aqui mesmo, todo mundo sempre olha de um jeito ou de outro, vem me dar tua língua. Ali não.
Saímos da sala vermelha de sombras e encaramos, aos tropeços, um longo lance de escada. Porta aberta, graças, já não agüentava mais. Tirei os dedos, beijei, e a língua ardeu naquela pimentinha, ah, ela gritou.
A casa parecia diferente pela manhã. Nada de drinques, nem vermelho, nem verde. O sol bateu de frente e ela já não estava mais lá, foi com ele, grudou nele. Eu vi, foi subindo, subindo, ia ficar lá no alto, quente, muito. Depois ia descer, descer e voltar pra casa, sempre vermelha. Amanhã é outro dia, a noite então.
Dafne Sampaio
(Fortaleza/CE, 1974) Cientista social, jornalista e fotógrafo.
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