Por Revista Intervalo
Gente chegou ao aeroporto de Congonhas às 3 da manhã para ver Roberto Carlos chegar e só às 10 horas, quando seu avião deveria descer em Congonhas, todos ficaram sabendo que o Brasa havia perdido o aviaõ em Nova York. O que aconteceu por lá e que retardou a festa de duas horas, o próprio Roberto explicaria logo após sua chegada: “Saí do hotel às 18,10, tranqüilamente, pois o avião partia do aeroporto Kennedy às 19,30. Mas lá o trânsito ainda é pior do que o daqui. Cheguei ao aeroporto às 19,35 e não pude mais entrar. Tive que pegar um outro avião.” As 3 mil pessoas que estavam em Congonhas não se importaram muito com o atraso. De vez em quando os alto-falantes ensaiavam vivas ao Rei, vencedor de San Remo, e as fãs agitavam bandeirolas brasileiras e paulistas.
Quarenta minutos antes, quando ele embarcara no Rio, de passagem, havia apenas umas 500 pessoas e muita confusão: chuva, gritos, repórteres, saudações. Mas em São Paulo a confusão foi total. Erasmo Carlos, que chegou ao aeroporto tresnoitado, após um show em Guarujá, e Wanderléa, que apareceu no seu Mustang branco, foram os únicos que conseguiram subir as escadas de bordo, antes da descida do Rei. E ouviram dele, à saída: “Puxa! Que loucura!”. As fãs formavam uma massa compacta, lá embaixo, e os guardas, destacados para fazer o isolamento de Roberto, passaram a agir com violência para pôr ordem nas coisas. Muita gente levou empurrões, pisadelas, safanões. Roberto é levado a um palanque, há gritos de “Sai da frente!” – todos querem ver o Rei. É com dificuldade que Roberto atinge o seu Cadillac. Eurico, o motorista, fica um pouco apavorado, dá partida ao carro assim que Roberto é, literalmente, jogado lá dentro. No caminho, rumo ao seu apartamento, Roberto comentaria com ele: “Estou exausto. Acho que hoje vou dormir o dia todo.” Roberto desembarcou com óculos de aros fininhos e um ensaio de bigode: “Deixei-o crescer logo depois do Festival de San Remo. Não foi imitação, na Europa a onda é costeleta e barba fechada”.
No apartamento, poucas pessoas conseguiram entrar. Menos de duas horas depois de sua chegada, ele já estava à vontade, vestindo uma calça listrada e uma camisa americana azul, que comprou em Cabo Kennedy, na sua viagem anterior. Foi isso que ele disse, durante a conversa com jornalistas ali presentes: “Eu já havia gravado a “Canzone Per Te” aqui no Brasil, antes de viajar. No outro lado do disco está “Io Sono L’Ultima Cosa Per Te”, de Luciano Beretta, uma música mais popular. Recebi muitas propostas, vou estudá-las, mas isto é certo: não me ausentarei do Brasil por muito tempo. O que confirmei, até agora, foi isto: dias 21, 22, 23 em Caracas, para março; em junho, o Festival de Antibes, na Riviera Francesa, dias 20, 21 e 22, como convidado de honra e participante. Cheguei aos Estados Unidos para combinar com a CBS o lançamento de meu disco no mercado americano. Fiquei impressionado com o prestígio e a popularidade de Jorge Ben ali. Vi Miriam Makeba caitituando um disco do Bidu, achei bacana. O que está fazendo muito sucesso nos Estados Unidos é um ritmo chamado Memphis Sound, misto de rock e música negra do Harlem. Presentes, eu trouxe um para Nice, mas não quero contar qual é: surpresa, ela ficou na Europa, nem sabe. Comprei muita novidade, inclusive um barco inflável, de borracha, portátil, com um motor que pesa 12 quilos e carrega 4 pessoas. O apelido do barquinho é James Bond, morou? Para papai, comprei um aparelho elétrico de embaralhar cartas e, para mamãe, uma máquina fotográfica, que revela na hora, um cachorrinho de brinquedo que late e morde, muito engraçado, e muitos dólares de prata para sua coleção. Já sei que vocês vão me perguntar sobre o casamento: pois bem, será em fins de março, ou abril. Vou comprar uma casa. Casa nova, para uma vida nova: que não seja muito grande, mas muit aconchegante. As cidade que mais me impressionaram foram Londres e Nova York. Achei o italiano o povo mais parecido com o brasileiro, em todo o mundo. Gostei muito dos conjuntos que vi na Inglaterra: The Mooby Blues e Procol Harum. Meu entusiasmo agora está voltado para o cinema, mas sem deixar os discos e a TV”.
No apartamento, onde D. Laura entrou carregando um capacete de soldado alemão, que RC usou em seu filme, um bicão conseguiu entrar, tapeando todo mundo: queria tirar uma foto ao lado do Rei, para mostrar à mulher e aos três filhos. Tirou mesmo, todo mundo pensava que ele era jornalista.
Redação