Trajetória do pioneiro cantor paulista do rádio, sucesso nacional e personagem de curiosa anedota política na Revolução de 1932.
Roque Ricciardi era o verdadeiro nome desse músico, nascido no Belenzinho em 1894, filho de imigrantes italianos. Ficou famoso como seresteiro na região do Brás, de onde veio a sua primeira alcunha: “O italianinho do Brás”. No início de sua carreira apresentava-se em cafés-concertos e bares a troco de sanduíches, cervejas e algumas gorjetas dos fregueses. Naquela época (primeiras décadas do século XX) esses cantores de cafés se mantinham por meio de outras profissões – Roque fora aprendiz de tipógrafo e ferreiro, além de cantar e tocar violão.
Em 1923, com a inauguração da Rádio Educadora Paulista, foi o seu primeiro artista contratado. A partir de então sua carreira toma um novo impulso. Grava discos pela Odeon, Columbia (e adota o apelido indígena, que aparece nos selos dos discos), atua em diversos filmes (Acabaram-se os otários, Coisas nossas, Campeão de futebol, entre outros), lança vários sucessos, como “Bem-te-vi”, “Triste caboclo”, “Portera veia”, “O luar do sertão” (de seu amigo Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco) e “A juriti”. Paraguaçu (ou Paraguassu) foi um dos cantores mais populares do início do século passado, e foi o primeiro cantor paulista a alcançar fama nacional sem precisar se mudar para o Rio de Janeiro.
Sua história merece ser conhecida, além do mais o seu nome está envolvido em uma curiosidade interessante:
“Num domingo, depois do almoço, Laurinda ligou o rádio e catou uma estação; o Paraguaçu entrou musicalmente pela casa a dentro. Jordalino, que estava na botica, vendendo cipó-suma para a Rufina do 14, gritou de mau humor: – Menina, desligue isso! O tempo não está para musicatas, mas para verdades duras contra o Chuchu!” (Afonso Schimidt. A locomotiva: a outra face da revolução de 32. São Paulo: Brasiliense, 1980, p. 25. Citado por José Ramos Tinhorão em A música popular no romance brasileiro – vol.2. São Paulo: Editora 34, 2000, p. 404. Em seguida o autor explica que Chuchu era o apelido depreciativo que os paulistas deram a Getúlio Vargas).
THATY FERNANDES
Historiadora e pesquisadora de cultura popular.