A PRK vale como exemplo admirável

A história do programa de Lauro Borges e Castro Barbosa que marcou o rádio com humor inteligente e sátira pioneira.
A dupla dinâmica Lauro Borges e Castro Barbosa em estúdio. (Crédito: FMIS/RJ)
A dupla dinâmica Lauro Borges e Castro Barbosa em estúdio. (Crédito: FMIS/RJ)

Por Revista do Rádio

Publicado originalmente em 21 de agosto de 1951

Foi em 1943 que Lauro Borges, animado pelo sucesso de um outro programa que apresentara pouco antes aos ouvintes, resolveu criar a sua hoje celebérrima PRK-30. Lauro, humorista à flor da pele, incapaz de se valer da imoralidade para arrancar gargalhadas dos ouvintes, fizera, antes, uma paródia das emissoras do Interior, falando à maneira dos pitorescos speakers provincianos que realizam o rádio menos difícil e todo o regional.

Da sua estaçãozinha sem pretensões, irradiada pelo Rádio Clube, apareceu a idéia da PRK-30.

Em conversa com Renato Murce, diretor artístico, na época, da PRA-3, ganhou incentivo para a concretização da idéia que acabou por se converter em realidade, surgindo na emissora do edifício Cineac com o prefixo de PRK-20.

Assim começamos a história desse nosso objetivo de levar aos leitores os detalhes essenciais das principais atrações do rádio carioca. Lauro Borges criou a sua agora PRK-30 há precisamente oito anos. Seu companheiro, na ocasião, era o mesmo Castro Barbosa de hoje, o impagável “Megatério Nababo” da “pê-erre” que recebe o “reforço” da Tupi, às sextas-feiras, às 21h30.

A iniciativa, como tantas outras, apareceu a título de experiência.

E, também como tantas outras do Lauro, imediatamente “pegou” no gosto dos ouvintes, fixando-se à maneira dos cartazes de primeira linha do rádio brasileiro.

A PRK-30 ficou durante dois anos na PRA-3, pontilhada dos sucessos merecidos, até que um dia a Mayrink Veiga fez uma proposta ao Lauro e ao Castro Barbosa. Artistas e profissionais, um e outro não desprezam a possibilidade de melhores salários… e o Lauro passou-se para a PRA-9, enquanto o Castro continuava na PRA-3, por mais seis meses, esperando o término do seu contrato com a emissora. Na época de sair, Lauro procurou o diretor-geral da “pê-erre”, que era o Júlio Barata, dizendo-lhe que levaria o programa para a sua nova estação. Foi então que soube da novidade: o Rádio Clube registrara o título PRK-20. Lauro não se apertou, aumentou o prefixo da sua possante, ficando, na Mayrink, com a PRK-30, título que lhe pertence até hoje. Faltava o Castro Barbosa. Lauro Borges “conversou” o Pinto Filho – hoje na Rádio Vera Cruz – e este prontificou-se a substituir o “Megatério” até o instante em que a dupla voltasse ao microfone. Mas a PRK-30 teria que mudar de freqüência, mais uma vez. E isto aconteceu em 1947, quando os dois artistas assinaram contrato com a Rádio Nacional, apresentando a sua emissora, ali sob o patrocínio do sabonete “Eucalol”. Passados três anos, quando chegávamos a 1950, Lauro e Castro foram “cantados” pela Tupi carioca, a esta altura empolgada com o sucesso do programa que se repetia até em São Paulo, na Rádio Record, atendendo ao interesse despertado pela dupla. Aceitando a “conversa” os dois deixaram a PRE-8 e sob o patrocínio da “Cervejaria Brahma”, que também os apresentaram na capital bandeirante, deram início à nova fase de atividades da emissora sui generis.

Este é o histórico do programa. E como o broadcast ganha movimento, sentido, vida, enfim? Em geral Lauro e Castro escreveram a PRK-30 de parceria. Trocam idéias, fazem trocadilhos, relembram anedotas e, principalmente, satirizam as coisas das emissoras respeitavelmente mais “sérias”. A título de bom humor – que é feito, realmente! – criticam as gaffes do rádio em geral. Imitam os artistas mais singulares, fazem propaganda nos moldes dos textos alucinantes que se ouve por aí… e ganham o aplauso desse público entusiasta, que adora como ninguém as sátiras às coisas protocolares.

O “Othelo Trigueiro”, por exemplo, constituindo-se numa das maiores charges do Lauro, nada mais é do que uma cópia legítima de certos locutores que fazem do rádio os “momentos românticos” de conversa com as “fanzocas” apaixonadas…

Em suma, escrita e interpretada pelos dois populares artistas, que se criticam mutuamente, corrigindo defeitos numa identidade maravilhosa, a PRK-30 é o reflexo do rádio feito com um humorismo limpo, sadio, sem os recursos degradantes do double sens ou as anedotas ferinas, “à la Bocage”. Em sua especialidade, não se lhe pode negar o mérito, é o melhor dos programas do nosso rádio. Fruto exclusivo do talento dos seus “diretores”!…

Redação

Texto originalmente publicado na Revista do Rádio, nº 102, de 21 de agosto de 1951

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